quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

NO RADAR COM SÓDIO


A seção NO RADAR de hoje recebe a presença da banda SÓDIO que acaba de disponibilizar 5 músicas (segue o link abaixo) contendo um Hardcore cortante e visceral! A banda é encabeçada pela vocalista Estefiliane e conta com o apoio do guitarrista Renato, antigo conhecido da cena de Maringá/Londrina que também é marido da “Esté”. Confiram essa entrevista e apoiem a banda! Vida longa ao Sódio!

Qual é a formação do Sódio HC e quais as referências musicais que influenciam a banda?
Antes de mais nada, olá a todos, é um grande prazer para nós como banda que recém lançou um EP sermos chamados assim logo de cara para uma entrevista.
A formação é composta por mim, Estefiniane “Esté” Castro vocalista e compositora das letras e por Renato Nascimento, meu marido, guitarrista e responsável por todo instrumental. A banda conta com o apoio nas apresentações do baixista Diogo Nascimento e contará com a parceria de um baterista que em breve será anunciado. Há a possibilidade de efetivação definitiva desses membros na banda, visto que são pessoas sérias e respeitam nosso trabalho, e essa é uma das maiores propostas da banda: seriedade e comprometimento com a qualidade musical e coerência ideológica.

02 – Qual o conceito central em relação as letras, como o Sódio HC se posiciona ideologicamente?
Na verdade tratamos de conceitos diversos, mas para o primeiro EP, que é conceitual (para quem ainda não sabe) o foco é a degradação do ser humano em si. Visamos expor as mazelas do sistema, a miséria, o caos social, tudo isso embasado em situações que vivenciamos diariamente. Pode até parecer clichê, mas um assunto tão sério como esse não pode desapercebido, visto que nas ruas presenciamos a fome, a morte e a falta de dignidade que o sistema impõe para os menos abastados. É só olhar a nossa volta e ver a cara de desdém que o cidadão “de bem” faz quando vê um índio, um “nóia”, um mendigo ou trabalhador que vende doces no sinaleiro. É isso a verdade está tão escancarada no dia a dia, que chega a ser absurdo que as pessoas sigam no seu cotidiano sem que isso as afete de maneira alguma ou as faça refletir sobre. Um exemplo disso fica exposto na música “Culpados”.

03 – Vocês começaram o ano de 2020 com um EP bem legal, bem produzido! Gostaria que comentasse as 05 faixas desse material (virtual)
Faixa 1- Suturas:
A canção é sobre alguém que estás prestes a perder a fé em si mesmo, mas sabe que deve manter a esperança e resistir. Uma coisa que vemos muito no cotidiano, principalmente por causa da taxa de desemprego e das dificuldades em se manter vivo nessa selva de pedra, que cada dia mais tenta tirar a nossa dignidade.

Faixa 2- Culpados:
Culpados fala sobre a culpa que todos nós carregamos mesmo que indiretamente, toda vez que ignoramos os miseráveis e seguimos nosso caminho como se aquele ser fosse apenas parte do cenário, e não uma pessoa, um indivíduo, com suas lutas e com suas dores. Os pais que acham que basta enfiar dinheiro goela abaixo dos filhos, jogar um tablete ou celular na mão de uma criança para não ter que cumprir suas responsabilidades. O cidadão que não entende, nem se preocupa em entender sobre política e elege porcos safados que só pensam no seu próprio rabo. E os principais culpados, os governantes, que exploram um povo inculto e despreocupado, que acha que um churrasco e as novelas da TV são mais importantes do que ter uma verdadeira consciência social.

Faixa 3- Paradigma Social:
É uma indireta; na verdade o paradigma são as pessoas que estão na fila do SUS, as pessoas que seguem suas vidinhas medíocres, sempre reclamando, mas não entendem que são parte de um joguinho sórdido. Onde a maioria nem se pergunta o porquê de serem miseráveis e estarem em situações degradantes. Os verdadeiros criminosos já sabemos quem são, mas porque nunca as pessoas se rebelam? Não vemos outra resposta senão um grande paradigma social e um gigantesco conformismo.

Faixa 4- Atitude ou Morra:
Uma canção de teor simples: enquanto não houver união entre os cidadãos, para juntos nos levantarmos, as nossas cabeças continuaram embaixo da sola de coturnos sujos.  Precisamos ter atitude, ou iremos sucumbir, porque todos sabem que a história se repete.

Faixa 5- Mate ou Será Morto:
Essa música é a apoteose do EP: Fala sobre o lado animalesco do ser social. Ao mesmo tempo que nos deparamos com muitas vítimas e pessoas que sofrem, também enfrentamos o lado podre do ser humano. É luta por sobrevivência, cão comendo cão, assassinatos, violência dos cidadãos para com os cidadãos, o que é um deleite para o sistema, diga-se de passagem, ver a população se matando, alienados em uma guerra fria social em que tribos se boicotam por conceitos absurdos, onde o cara que ouve rock quer encher de porrada o outro que também ouve rock só porque ele não fala tudo o que o outro quer ouvir, ou porque ele tem alguma opinião diferente e acredita que seus ideias devem prevalecer, mesmo se esses ideias forem hipocrisia e violência furada, sem sentido.
Como as vezes vemos no próprio cenário, não há união porque um quer quebrar a cara do outro por coisas que nem sabem ao certo, pelo famoso “disse que me disse”. É isso...é gato atrás de rato, ou melhor é o rato armando a ratoeira pro seu próprio semelhante roedor.

04 – Quais os desafios para se divulgar hoje em dia e conquistar o seu próprio público?
O primeiro desafio são as questões financeiras, quando somos pobres e não temos apoio, gravadora e nem nada do tipo, temos que nos virar em trinta para conseguir algo. Sorte que temos alguns amigos como o Vitor Gaioto da banda Biomorf e o Yuri Padial da Infernal Art. Outros desafios ficam por conta da desunião, do machismo (PRINCIPALMENTE), porque quando se é mulher e não dá mole para os caras, eles logo vão rebaixando seu trampo, e tem outra, você tem que é capaz o dobro, porque a cultura do macho alfa ainda está presente na sociedade e no underground não é muito diferente, talvez seja até pior.

Há outras questões também; mas felizmente o EP e nosso trabalho está tendo uma ótima recepção e respaldo, e nos mantemos firmes resistindo e construindo nosso estrada com as pedras que nos são arremessadas, aliás joguem mais!! (risos)


05 – Além do Renato, que já um cara atuante na cena da região, o Sódio HC ainda tem o diferencial de ter um vocal feminino, que é tão expressivamente importante nos dias de Hoje! Como tem sido essa experiência que por incrível que possa parecer, ainda encontra resistências.... O Colorado Heavy Metal agradece a vossa presença!
Como disse na pergunta anterior, ainda existe sim muita resistência, machismo, ignorância, gente mentirosa, gente que se diz apoiador e defensor das causas femininas, mas só consegue mesmo é passar vergonha, não adianta ser femimacho, se não tem uma buceta nunca vai saber o que nós mulheres do cenário passamos de verdade. Agradeço a oportunidade por concedermos essa entrevista. Muito obrigado, Vitor! E conte conosco no que precisar, não temos dinheiro, mas estamos juntos nessa hehehe. Valeu cambada!


(Renato): Agradecemos muito pela entrevista, Vitor e todo mundo que apoia o Colorado Heavy Metal. Eu tinha me afastado totalmente da cena, perdi o tesão e não queria mais fazer parte de nada. Muita falsidade, hipocrisia e falsos amigos, e não preciso disso na minha vida. Só voltei a tocar para apoiar a minha esposa, que sempre me apoiou incondicionalmente, que independente da situação, sempre esteve ao meu lado. Ela faz as músicas, ela dá as ideias dos riffs e bases, eu me influenciei muito pelo gosto musical dela, que é bem diferente do meu, e achei uma nova vida nesse cenário, apesar de uns zé roelas estarem torrando o meu saco, vou ser sempre resistência e estarei sempre ao lado da minha mulher, na banda ou fora dela. 

É isso! Um grande abraço a todos. Curtam o EP e apoiem o underground, que não são só as bandas, mas também os fotógrafos, zines, produtores de show, gravadoras e etc.

Link pro EP: https://sodiohc.bandcamp.com/releases



Por Vitor Carnelossi


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Desde 2013 produzindo matérias e entrevistas para grande rede.
Editor responsável - Vitor Carnelossi