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segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

PARANOID EXISTENCE - "O LADO OCULTO QUE MUITOS TEM MEDO DE ACESSAR"

     Sempre é estimulante falar com quem vive intensamente a sua música e inova ao fazer planejamentos que fogem ao usual. O Bate papo de hoje é justamente com um cara muito prolífero dentro da cena do underground brasileiro. Emerson Silva já encabeçou vários projetos e faz parte da banda “Les Memoires Fall” que tem excelentes registros disponíveis apreciação. Hoje conversamos sobre o seu mais recente lançamento, o projeto  ‘’Paranoid Existence’’ que lança seu primeiro trabalho, “Drakaina”; uma viagem por sonoridades obscuras e sentimentos antigos e profundos!


Emerson Silva -  One Man Band e ao vivo!

1 - Emerson, é um prazer tê-lo no Blog Colorado Heavy Metal! Você tem trabalhado na divulgação de seu projeto ‘’Paranoid Existence’’, quais as suas intenções sonoras e líricas neste trabalho de estreia?

Saudações Vitor e a todos os leitores do Blog Colorado Heavy Metal! Pra mim é um grande prazer estar aqui, muito obrigado! Isso mesmo, este ano lancei o meu primeiro álbum com a Paranoid Existence, intitulado “Drakaina” e estou muito orgulhoso deste disco. Quando eu comecei a Paranoid Existence em 2018, era um projeto de Crust / Grindcore, apenas para lançar músicas. Mas em 2023, logo após sair da Revengin, decidi que queria fazer um projeto onde pudesse lançar material e sair a tocar no máximo de lugares que puder e daí surgiu a idéia de voltar com a Paranoid Existence, mas com um novo conceito, abordando mitologia, paganismo, natureza... e levando a sonoridade para uma mistura entre Doom, Death e Black Metal. “Drakaina” aborda um epíteto da deusa grega Hékate, que seria a Serpente-Dragão, trazendo uma reflexão e busca do conhecimento sobre o seu lado escuro, o lado oculto que muitos tem medo de acessar, já que envolve você encarar os seus medos e muitas vezes não queremos enfrenta-los...

 2 - No ‘‘ Paranoid Existence’’, apesar de ser uma “One Man Band” você encara o desafio de fazer apresentações ao vivo empunhando o baixo e fazendo os vocais. Como tem sido essa experiência que extrapola o tradicionalismo em se tratando do underground?

Eu particularmente sempre gostei de bandas e projetos que fogem do comum. No Grindcore por exemplo, existem várias one man band que fazem apresentações ao vivo. No metal não é tão comum, mas existem. Eu simplesmente decidi fazer isso, já que com uma banda é muito mais complicado coordenar o tempo de todos, questão financeira e muitas vezes vontade dos integrantes de sair em turnê e tocar. Sabemos que muitas das vezes os membros têm outras prioridades e banda acaba não saindo pra tocar ou toca esporadicamente. Quando eu comecei com a ideia, não sabia o que esperar, se as pessoas gostariam ou não, mas isso na verdade não me importa. Eu apenas quero poder compor e lançar minhas músicas e poder viajar o mundo tocando. Aqueles que se identificarem com a minha arte, estarei eternamente grato! Aqueles que não, sem problemas, existem inúmeras bandas aí para que possam apreciar e está tudo bem. Tem espaço para todos! Felizmente a recepção tem sido muito boa, muito maior do que imaginava e a galera tem comparecido nos shows, comprado merchandising, vindo trocar idéia sobre o projeto e o que faço. Sinto grato de verdade a todos que tem apreciado a minha obra!

3 – Acompanhando em suas redes sociais, você prioriza bastante o fato de tocar ao vivo, quais as condições que você considera viáveis para se apresentar?

Sim, como disse na pergunta anterior, este é um dos grandes objetivos! Tocar o máximo possível. Como sou one man band, isso também acaba facilitando para poder viajar e tocar, já que viajo no máximo em 2 pessoas, já que minha esposa me ajuda a montar o cenário, fotos, vídeos e merchandising. Então isso facilita para que possa tocar ao vivo e viajar. Pois sabemos que um dos maiores problemas para as bandas e produtores é a quantidade de pessoas numa banda e o custo que isso acarreta a produção. Quanto mais pessoas, é mais complicado, já que os custos ficam muito maiores. Desta forma que eu faço, os custos com passagens, hospedagem e alimentação é muito menor e até na questão de equipamento para o show, acaba simplicando bastante para o produtor.

4 – Conversando com você “em off” e certa ocasião, você havia relatado que havia feito da música sua profissão principal e estava investindo neste sentido. Como é o planejamento para se chegar a resultados dentro de um segmento mais fechado como o Heavy Metal?

Sim, na verdade foi minha profissão principal durante a pandemia, já que pude trabalhar de várias formas com a música e que neste período onde estava tudo fechado, me ajudou a pagar as contas. Hoje em dia eu sigo trabalhando com música e com outro emprego que me ajuda a complementar a minha renda. Quanto a questão de planejamento, é algo que realmente te demanda um tempo muito maior do que um trabalho normal, já que você precisa trabalhar com várias fontes de renda dentro da música para que possa no final do mês pagar as suas contas e ter algum dinheiro sobrando para lazer e investir na banda, já que viver apenas da banda, tocando Heavy Metal na América do Sul é algo quase impossível. Existem bandas que conseguem, mas geralmente só as bandas grandes. A realidade do underground está ainda MUITO longe disso.

Les Memoires Fall - Dark / Gothic Doom

5 –  O “Les Memoires Fall” alcançou uma projeção bem legal dentro do segmento Doom Metal, quais os próximos passos da banda nesse novo ano de 2024?

Sim, a Les Mémoires Fall já tem 12 anos de banda, 2 albuns lançados, EP, splits... Em 2024 sairá o novo álbum, que se chamará “Abissal”. O disco já está gravado desde 2022, mas como esse ano decidi focar 100% da minha atenção a Paranoid Existence, ele acabou ficando guardado para que saia em 2024. Fora isso, quando seja possível, voltaremos aos palcos, já que os integrantes estão no Brasil e eu moro no sul da Argentina, em Ushuaia, o que impossibilita de fazer shows com frequência.

6 - Tanto o “Les Memoires Fall” quanto o  “Paranoid Existence” possuem em sua sonoridade influencias sombrias, noto que é difícil para quem toca algo mais voltado ao Dark/ Gothic / Doom distanciar-se dessa atmosfera lúgubre. Como funciona o processo de composição para cada banda?

Sim, é verdade, tanto é que acabei levando a Paranoid Existence para esse lado mais Dark do Doom e Black Metal, que são estilos que gosto bastante. No Les Mémoires Fall, no primeiro disco eu compus todas as músicas, já a partir do segundo “The Tree: Yarns of Life”, o nosso guitarrista Alessandro Grou normalmente me mostra algum riff e idéias e eu o ajudo com o direcionamento da música e vamos trabalhando no som até acharmos que está perfeito. Já na Paranoid Existence, eu sempre componho com o baixo diretamente. Então eu sento e começo a tocar e ver o que vai saindo. Os riffs que vão saindo e que eu vou curtindo, eu automaticamente já vou gravando a idéia para não perder e vou organizando a música. É um processo mais livre, já que eu tenho a liberdade de provar e gravar o que eu quiser. Não que não tenha na Les Mémoires Fall, mas na LMF são mais 3 pessoas que também trazem idéias na hora de finalizar o som.

Ermerson - Bass and Vocals

7 – Você tem experiências tocando fora do Brasil, coisa que muitas bandas com 30 anos de existência não tem! Quais as impressões do underground, fora do Brasil!

Então, o underground, em questão do público no meu ponto de vista é igual tanto no Brasil quanto na Europa e no restante da América do Sul. As pessoas são apaixonadas pelo metal em todos os lugares. A diferença que eu vejo em relação a Europa e América do Sul é que normalmente em qualquer lugar que você toca na Europa, sempre o equipamento será excelente, mesmo que seja num porão ou na casa de alguém e os horários são sempre respeitados, coisa que nem sempre acontece na América do Sul. Fora isso, a paixão é a mesma.

8 – No Rock n´Rio você tocou com a banda de Symphonic Metal REVENGIN, conte-nos um pouco sobre essa experiência!

Este foi um grande momento na minha carreira, de poder tocar no Rock in Rio em 2022 com a banda Revengin, no mesmo dia do Iron Maiden, Dream Theater, Gojira entre outras bandas. Foi chegar num estágio que todo músico um dia almeja. Atenção total da equipe do Rock in Rio, produção grandiosa, respeito com o artista, equipamento de primeira qualidade, algo que todo músico sempre deveria ter, mas que infelizmente é algo muito difícil de se ver no underground.

O show em si foi maravilhoso, tem alguns vídeos no youtube, demos entrevistas para televisão, vários meios de comunicação, camarim para banda e equipe, uma estrutura grandiosa! Sempre vou lembrar com muito carinho deste dia, foi um grande passo na minha carreira e me mostrou na prática, como realmente funciona um evento deste porte. Como disse, foi um grande passo na minha carreira, que foi ampliado este ano, já com a Paranoid Existence, com toda a experiência de poder tocar na Europa pela primeira vez. Acho que sempre, o mais importante é você desfrutar de cada passo que você dá. Isso faz com que a jornada seja ainda mais gratificante. Cada passo é uma vitória, um sucesso e é motivo para comemorar.

9 – Gostaria que listasse seus álbuns favoritos dentro do Metal!

Putz, são tantos! Eu gosto de várias vertentes dentro do metal, Power Metal, Symphonic Metal, Doom, Death, Thrash, Black Metal... Mas vou citar alguns dos álbums dentro do metal que eu mais gosto:

- Nightwish – Oceanborn

- Blind Guardian – Tales From Twilight World

- Angra – Rebirth

- Epica – Consign To Oblivion

- Slayer – Reign in Blood

- My Dying Bride – Angel and The Dark River

- The Gathering – Mandylion

- Katatonia – Dance December of Souls

- Alcest – Souvenirs D’un Autre Monde

- Death – The Sound of Perseverance

- Sepultura – Arise e Morbid Visions

- Sarcófago - INRI

 

Tocando com o REVENGIN no Rock in Rio 2022

10 – Deixo espaço para suas considerações finais, muito Obrigado!

Queria agradecer a você Vitor, pelo espaço aqui no blog para falar sobre a Paranoid Existence, Les Mémoires Fall e outros assuntos! E convidar aos leitores que confiram o som da Paranoid Existence e da Les Mémoires Fall, que estão disponíveis em todas as plataformas digitais e se for do seu agrado e quiser, tenho cds e outros merchandising disponíveis. E fique atento por que em 2024 tem novo álbum tanto da Les Mémoires Fall, quanto da Paranoid Existence. Siga as bandas no instagram, assim você não perde nenhuma novidade!

 Spotify – Paranoid Existence

https://open.spotify.com/intl-es/artist/5h6q5glv5JxQbw5wEMVNEB

Spotify – Les Mémoires Fall

https://open.spotify.com/intl-es/artist/2zMVjSfN15j8SOV1YXLwn9

Instagram – Paranoid Existence

https://www.instagram.com/paranoidexistencemetal/

Instagram – Les Mémoires Fall

https://www.instagram.com/lesmemoiresfall/

Por Vitor Carnelossi

CHM - DESDE 2013 



segunda-feira, 4 de setembro de 2023

NIGHT OF TERROR – A MENSAGEM UNDERGROUND FORTALECENDO A CENA METAL REGIONAL E NACIONAL

 


NIGHT OF TERROR – A MENSAGEM UNDERGROUND FORTALECENDO A CENA METAL REGIONAL E NACIONAL

Nosso cenário underground regional é de extrema qualidade, com várias bandas reconhecidas em boa parte do território nacional, em vários gêneros. Enxergamos, no canal Night Of Terror,  um veículo de extrema qualidade e responsabilidade dentro do trampo proposto, que é dar espaço para bandas e personalidades do underground regional e nacional conversarem sobre suas obras e temas diversos, e nesse quesito Rodrigo Leonardi (Vozão) e Julião Silva – idealizadores do canal N.O.T o fazem com grande habilidade, de forma bem sacada e sendo uma das vitrines de expressão para quem realmente batalha a cena, quer como banda, músico ou  qualquer outro derivativo ligado à cultura underground. Rodrigo e Julião receberam o Colorado Heavy Metal de forma muito solícita, e à partir deste momento você é nosso convidado para curtir essa conversa muito bacana com dois dos porta-vozes do underground nacional:

CHM -  Como surgiu a proposta do Night Of Terror e como tem sido a aceitação do público em geral com o conteúdo apresentado?

Rodrigo – O Night Of Terror surgiu em 2005. A intenção era ser um fanzine, tanto que chegou a sair um exemplar. Depois disso, percebi o quão era difícil fazer um fanzine e acabou por aí. Depois disso, virou uma espécie de selo da minha banda na época (Abuso Verbal) onde os integrantes realizaram várias coisas com esse nome. O Caxa fez alguns eventos e o Feliz chegou a dar suporte como selo para algumas bandas. Passado- se anos, precisamente em 2016, queria reativar e fazer algo que envolvia artistas independentes, mas foi só em 2018 que comecei a fazer entrevistas com os artistas. Como as primeiras impressões foram ótimas por parte do público, resolvi chamar o Julião para ser meu socio no canal. Com a pandemia, adotamos o formato de lives e seguimos até hoje.

 Julião – Bom, como o Rodrigo citou a cima fui convidado por ele para ser sócio e também participar da elaboração dos conteúdos. Aceitei na hora rsrsrs. Quando iniciei no N.O.T. comecei fazendo entrevistas das bandas que iam tocar no Tribos.  A gente fazia o convite para as bandas. E o Juninho liberava o quartinho dos fundos para a gente realizar a entrevista. E relação a aceitação do público acho está sendo acima do esperado. Pois tenho recibo várias mensagens elogiando que eu e o Rodrigo estamos fazendo ao decorrer deste espaço tempo.  

CHM - O canal Night Of Terror propicia ao público conhecer uma gama bem ampla de figuras de destaque na cena underground autoral. Quais os critérios do canal para seleção dos entrevistados?

 

Rodrigo – O Canal é voltado para a cultura underground, tantos escritores, cineastas, donos de bares e etc. acho que o maior critério é ter algo a apresentar. Ter um motivo para estar com a gente papeando. Nos casos das bandas, desde que se enquadre no rock está tudo bem, já entrevistei bandas de rap também. Porem acredito que não há espaço para outros gêneros musicais.

 

Julião – Em relação aos convidados, buscamos sempre por bandas, músicos donos de estabelecimentos que abrem as portas para o nosso estilo musical que se enquadra no rock e metal. A gente envia o convite para os entrevistados, explicamos os procedimentos  e o chicote estala  kkkk.

 

Rodrigo Leonardi


CHM - Tive o prazer de ser um dos entrevistados pelo canal, e posso atestar o quanto à vontade o entrevistado se sente e o nível de preparo da equipe do NOT como um todo, tendo literalmente conhecimento de causa para cada entrevistado, além da interação de um público também muito identificado. Comentem sobre isso.

 

Rodrigo- Quando entrevistamos alguém, geralmente no começo, o convite partia da gente, então, conhecíamos os trabalhos de cada um. Isso ficaria mais fácil o bate papo. Mas sempre pedimos para os artistas enviar uma mini biografia, para podermos elaboras as pautas. No meu caso, uma hora antes, peco para o artista entrar para passarmos a pauta juntos, ali o artista ajuda a acrescentar algo e diz sobre o que quer falar ou não. Mas nas lives, pelo menos no meu caso, a pauta é apenas uma guia para conversarmos. Muitas perguntas surgem no momento das entrevistas. Quanto ao publico interagir, para mim é uma forma deles participarem ao máximo das lives, se sentirem à vontade para perguntar curiosidades sobre o entrevistado.

 

Julião – Na minha opinião, tentamos deixar o entrevistado em uma situação que ele fique confortável. Para realizar a entrevista, pois pode se notar que é o N.O.T. faz parte de alguns poucos canais de entrevistas. Que apresentador e o entrevistado pode beber umas e fumar sem censura algumas. Situação essa acredito que deixa ambas partes a vontade como estivessem em uma de bar bebendo umas e jogando conversa fora kkkk. E também rola que os entrevistados quando possível enviam algumas informações para que possamos saber mais sobre o seu trabalho. Quando isso não acontece, fazemos algumas pesquisas sobre o entrevistado.



CHM - Os Podcasts e afins tornaram-se um dos maiores espaços para interação com artistas e personalidades em geral. Como o NOT avalia e observa esta realidade?

 

Rodrigo - Olha, eu sempre gostei de programas de entrevistas e sou uma pessoa que quando gosta de uma banda, um escritor, um cineasta, eu não fico apenas na sua obra, fico curioso por bastidores e suas influências. Para mim, acho que demorei ate para ter um canal de entrevistas. Particularmente eu acho muito interessante, porém muitos podcasts ficam na panelinha, ou seja, entrevista as mesmas pessoas. Já caiu nas mesmices. Acho que o foco é mais as visualizações do que o próprio conteúdo. Isso é algo que visamos, mas não em primeiro lugar. Em primeiro vem o grande acervo de entrevistas lives que fazemos, deixando registrado nas plataformas o nosso trabalho, que para mim tem e terá ainda mais um valor histórico artístico no decorrer dos anos.

 

Julião – Na minha opinião é muito gratificante, fazer parte deste ramo de entretenimento em nosso seguimento. Pois sempre fui apreciador de revistas e fanzines onde no passado era a única maneira de nós saber sobre as bandas que gostamos. Com o passar do tempo e o avanço da tecnologia. Conseguimos levar estas informações para os hellbrothers e hellsisters de maneira rápida e objetiva. De bandas e artistas, escritores e etc. Que fazem parte do nosso submundo.

 

CHM - Estamos localizados no eixo Maringá-Londrina-Presidente Prudente. Qual a percepção do NOT sobre a cena underground (em todas as vertentes) neste circuito?

 

Rodrigo- Sempre foi muito rica. Logico que tem seus altos e baixos, mas sempre tivemos ótimos artistas na região. O que as vezes acontece é que deparamos com muitos rockeiros que na verdade se tornam um de fim de semana, quando tem bandas covers tocando. Quem leva o rock e o underground como estilo de vida são bem poucos. Percebe-se que em shows de bandas autorais quase não da gente. Mas os poucos são fieis e é isso que não deixa a cena morrer.

 

Julião- Em relação o nosso cenário, já foi bem mais rico que hoje podemos que tem várias bandas fudidas que sabem  e representam o que é o verdadeiro sentido do undergroud. Mais acho que precisamos de mais cooperação entre bandas e não competição! Tipo assim a banda do brother vai tocar o que custa compartilhar ou curtir o flyer do show. Em relação ao público percebo que hoje esta dando pouca gente.

 

Julião Silva


CHM - Quais projetos o NOT pensa em momento futuro, e como avalia o comportamento do público atual? Vocês enxergam uma renovação na cena, principalmente regional, quando em algum momento bandas de expressão em atividade não estiverem mais presentes? Vocês sentem que há barulho e ebulição nas garagens?

 

Rodrigo- Temos muitas ideias para o NOT. Talvez um podcast futuro, ou começar a ser um selo dando suporte para artistas, mas no momento posso dizer apenas isso (Risos)

Quanto a cena, como disse há pouco, são poucos que levam o rock e o underground como estilo de vida. Pelo menos em Maringá, pude perceber uma galera bem jovem colando nos shows autorias, isso de fato, já me alegra em saber que tem uma galera dessa nova geração dando continuidade para tudo isso não morrer.

 

Julião- Igual o Rodrigo, quem sabem em um futuro próximo um postcast. E também se tornar selo para que possamos lançar bandas que do nosso cenário underground. Talvez rolar um fest com o nome Night Of Terror Inc. E quanto a cena não para sempre surgindo bandas e conhecendo bandas de outros estados que estão destacando em nosso cenário vou citar algumas para que você e os leitores possam sacar caso não conheçam: Sevo, Rötö, Malignant Exclemental, Totemtabu, Sestro, Total Desastre.

 

CHM - Quais os 05 discos preferidos?

 

Rodrigo-Mainstream

1.     Sepultura- Chaos A.D.

2.     Ratos de Porão- Brasil

3.     Iron Maiden- Killers

4.     White Zombie – Astro Creep 2000

5.     Ministry- The Mind is a Terrible Thing To Taste

(Black Sabbath, Slayer, Metallica, vixi, tem um monte, rsrsr)

Underground

1.     Corpse Grinder- Apocalipty Terror

2.     Torture Squad- Pandemonium

3.     Necrotério- Lamment of Flesh

4.     Subtera- Nothing to Death

5.     Holder- Eternal Flames

 

Julião – Meu brother ai você me quebra kkk, vamos fazer assim vou citar alguns rsrsrs, ok!

 

Deicide – Deicide

Slayer – Reign In Blood

Cannibal Corpse – The Bleeding

Death – Simbolic

Mercyful Fate – Don’t Break The Oath

Headhunter D. C.  – And  The Sky Turns To Black

Ancestral Malediction – Demoniac Holocaust

Mystifier - Wicca

Infernal – Ritual Humilation

Holder – Merciful Scourge

Krisiun – Conquerors Of Armageddon

Ratos de Porão – Brasil

Sepultura – Schizophrenia

Torture Squad – The Unholy Spell

 

Vou para por aqui senão vou mandar uns 100 kkk!!!

 

CHM - Espaço para suas considerações finais.


Rodrigo- Agradeço imensamente o convite, agradeço a todos que acompanham o canal. espero nos encontrarmos em breve para botar o papo em dia.

 

Julião – Muito obrigado brother, pelo espaço cedido para podemos expressar nossas opiniões referente ao nosso trabalho valeu mesmo. Em breve a gente se tromba para beber umas e trocar umas ideias valeu.

 

*Por Marcão Azevedo

terça-feira, 28 de abril de 2020

NO RADAR COM HERETICAE


A seção NO RADAR de hoje conta com a participação da banda HERETICAE (Londrina - PR), em atividade desde 2014 fazendo um trabalho singular e muito interessante! Batemos um papo sobre o mais recente trabalho, “Ecos do Atlântico”, que é sem dúvidas um belo material que precisa ser conhecido por quem gosta de uma sonoridade repleta de peso e envolto de um tema conceitual instigante. 

1 – O HERETICAE lançou seu primeiro trabalho intitulado “Ecos do Atlântico”, qual a sensação da banda em relação ao seu trabalho de estreia e como estão trabalhando na divulgação!?
‘Ecos do Atlântico’ é nosso primeiro álbum, não foi nosso primeiro trabalho propriamente dito – temos um EP e um single lançados em 2017 e 2015, respectivamente. A sensação da banda como um todo, assim como o retorno dado por nossos amigos/as mais próximos, foi de grande satisfação com o resultado. Foi um trabalho longo, feito da maneira mais acessível para nós quatro em questão de tempo e de dinheiro, e sabemos que fizemos o melhor que podíamos com o que tínhamos.
A divulgação, por conta da quarentena, tem ocorrido exclusivamente via internet até o momento – por redes sociais e por e-mail. Nossos amigos/as e parceiros/as têm ajudado da melhor maneira que lhes é possível, e já conseguimos um bom alcance pelo Bandcamp.


2 – De início um ponto que chama atenção é a abordagem de um tema totalmente ligado as raízes da América do Sul. Algo muito bem elaborado e conectado com o nosso passado ancestral. Gostaria de saber um pouco da elaboração desse conceito, podemos dizer que “Ecos do Atlântico” é um disco conceitual?
Sim, é um disco conceitual. Desde o início foi projetado para ser, e tudo o que viemos fazendo no último ano gira em torno de seu conceito.
O conceito se formou através de ideias e reflexões que nós tínhamos em nossas conversas. Cristiano, Cleverson e eu (Dalton) somos amigos há bastante tempo, e sempre que nos encontramos, a ideia vai longe, por assim dizer, rs. Nossos posicionamentos políticos e ideais de vida e sociedade quase sempre são o centro de nossas conversas, e com certeza os anos de trocas de experiências refletiram na proposta desse trabalho. O Chico (baterista) entrou um pouco mais tarde na banda, nos idos de 2018, mas por mais que a ideia já estava consolidada, suas visões certamente somam com o todo da banda também.
Cabe ainda mencionar o fato do Cleverson ser afro-brasileiro, e o Chico e eu sermos descendentes de indígenas, o que foi um pilar central na consolidação da ideia do álbum. Por fim, basicamente, decidimos voltar os olhos à nossa história, à história dos povos colonizados e escravizados das Américas, ao invés de seguir as ideias das bandas europeias do mainstream do metal.

3 – Seguindo, acredito o conceito, a banda também tem outro fator muito bem-vindo ao Underground Brasileiro, que são as letras em português. Por incrível que possa parecer, as bandas que cantam em português no Brasil, ainda têm certa resistência por parte de alguns tradicionalistas. O que é para o HERETICAE não abrir mão de sua língua pátria?
Essa foi outra decisão que se desenvolveu ao longo de meses, que faz parte do conceito do álbum, mas ainda é algo “maior” do que ele. Posso afirmar que o ponto de virada nisso foi a passagem de Rômulo Machado na banda (final de 2017 ao início de 2018). Ele, que já tinha um projeto solo chamado Iamí, já fazia músicas em português se tratando de temas similares ao que adotamos. Nesse sentido, suas contribuições foram importantíssimas, por mais que sua passagem na banda tenha sido breve. A partir disso, transcrevi a letra da então ‘Não Servirá!’ para o português, e em seguida escrevi, com ajuda do próprio Rômulo, a letra da ‘A Ferro e Fogo’.
Assim, desenvolvendo cada vez mais a ideia do álbum, e procurando conhecer da melhor maneira possível questões ligadas à imperialismo, resistência anticolonialista e posteriormente até mesmo fascismo, assumimos a escolha do português como uma escolha política – afinal, pouco sentido faria falar de luta anticolonialista em inglês, a língua que mais representa o imperialismo em nossos tempos. Entretanto, para além da política, apreciamos a beleza da língua portuguesa brasileira, e pessoalmente posso dizer que é maravilhoso descobrir o leque de possibilidades de escrita que ela oferece.


4 - “Ecos do Atlântico” tem uma gravação bem legal e bastante referências musicais! Cabe a nós, ouvintes escutar e termos nossa interpretação. Porém, gostaria de saber quais são as referências musicais da banda e como funciona o processo de composição!
Para ser bem sincero, são tantas referências que é difícil dizer. Acho que os pilares centrais de nossas influências como fãs de música pesada são Sepultura (por parte do Cleverson e Chico) e Behemoth (por parte do Cristiano e eu), porém estaria mentindo se dissesse que as influências para esse trabalho se limitam a apenas ao gênero do metal.
O processo de composição é igualmente complicado de explicar. Todas as músicas tiveram a mão de todos da banda, e muitas delas ainda tiveram a mão de ex-membros. Quanto às que compomos só entre nós quatro, cada uma saiu de um jeito diferente: teve música que saiu de dentro de outra música, teve música que um de nós chegou com a estrutura “pronta” e só acertamos os detalhes em conjunto, teve música que saiu espontaneamente entre um riff e outro.
O caso mais bizarro que vale a pena comentar foi o da ‘A Cruz e a Águia’. Ela foi uma das primeiras composições dessa nova leva, feita de uma forma totalmente espontânea em uma tarde na casa do Cleverson, muito antes do Chico entrar na banda. Mas praticamente a esquecemos ao longo dos meses! Tanto esquecemos que mal a ensaiamos antes de entrar em estúdio para gravar a bateria. Resultado: o Chico, com ajuda do Cleverson, praticamente compôs a linha da bateria dessa música na hora da gravação, hahaha. E, mesmo após isso, eu fui terminar a letra literalmente na noite anterior do dia em que eu gravei as vozes. Foi tudo feito de uma maneira totalmente espontânea.
Enfim, a regra principal foi: não existe regra, rs.

5 – Quais as próximas metas da banda, o que podemos esperar do HERETICAE!!!! Agradeço imensamente, o espaço é de você, obrigado!
A meta até então é esperar a quarentena acabar, haha. Enquanto isso, tá rolando divulgação online. Entretanto, antes da pandemia estourar, estávamos engatando o início da gravação de outro clipe – cujo roteiro já está pronto, inclusive –, estávamos tirando do papel o planejamento de uma turnê de divulgação, e também há algumas novas composições surgindo já. No mais, estamos aguardando a situação de calamidade nos dar um horizonte melhor pra retomar esses planejamentos. Saudade de tocar é o que não falta.
Por fim, muito obrigado pelo espaço em seu blog! Foi um prazer responder à essa entrevista.
Valeu!



Por Vitor Carnelossi


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quinta-feira, 21 de março de 2019

WOODSTOCK - OS LANÇAMENTOS QUE MARCARAM ÉPOCA!


Quem já é mais tiozinho e começou a escutar um som na década passada, provavelmente já deve ter “pegado” uma “bolacha” da Woodstock nãs mãos! Aquele discão grosso e pesado distribuído em parceria com a Rock Brigade teve papel fundamental da popularização de algumas mais pesadas vindas das “gringas”. Walcir Chalas é o nome desse caboclo que além de lançar grandes discos por aqui, também em sua loja física marcou época! Foi lá que o Sepultura fez uma tarde de autógrafos pra 5.000 pessoas e também recebeu a presença simplesmente do James Hetfield, (Metallica), que estava a fim de comprar umas versões piratas de discos da própria banda... Dizem que James chegou no banco de traz de um Fiat Uno “mocado”, mais a galera descobriu e quase viraram o carro... Selvageria total! Confiram abaixo os discos mais vendidos pelo selo Woodstock aqui no Brasil e veja se o cara teve grande importância ou não para os sedentos e ávidos headbangers!



1. Helloween – Walls of Jericho

2. Kreator – Endless Pain

3. Destruction – Eternal Devastation

4. Exciter – Violence & Force

5. Running Wild – Gates of Purgatory

6. Celtic Frost – To Mega Therion

7. Motorhead – Ace of Spades

8. Manowar – Battle Hymns

9. Slayer – Hell Awaits

10. Anthrax – Fistful of Metal


Por Vitor Carnelossi

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sexta-feira, 3 de março de 2017

NOSSO DEATH METAL EM OUTRAS TERRAS

Nesta matéria de hoje vamos relembrar algumas bandas de Death Metal que criaram a identidade do Brasil junto ao exterior com o seu espirito polêmico e inovador para o metal extremo. A postura agressiva e contestadora do Death Metal teve sua identidade formada por jovens de outrora, que na sua maioria buscava velocidade e horror em meio a uma sociedade que sempre discriminou o “rock pauleira”. O Brasil perpetuou-se por sua participação nesse período de formação do metal da morte, músicos do mundo todo pesquisam as insanidades violentas gravadas por aqui. O Death Metal Brasileiro pode ser considerado um tesouro escondido aos olhos da nação.

SEPULTURA – MORBID VISIONS


Na fase inicial da carreira, o grupo ramificou seus contatos mundo afora sobre se solidificando com a bandeira do Death Metal. Trocando materiais (TAPE TRADERS) com bandas que emergiam no movimento, MORBID ANGEL, DEATH entre outras... A banda se tornou pioneira e venerada por todos que gostam do som “duro e ríspido” dos baluartes do death metal. Com a saída do Jairo o próximo lançamento abriria novos caminhos para o SEPULTURA, deixando o Metal da morte de lado e escalando o Underground até o topo ameaçando dividir a coroa com Slayer e Metallica....

SARCOFAGO – I.N.R.I.

Ódio, violência e um espirito sujo e caótico nasceram em formato de música. “D.D. Crazy” ditaria o ritmo insano e inovador da forma mais extrema que um baterista poderia fazer... É fato que o SEPULTURA (desafeto eterno) conquistou o mundo e ser tornou gigante, mais uma coisa eles não conseguiram tirar e Vagner & CIA, o status de “cult”.... O Tempo passa e o que o SARCOFAGO fez neste disco continua a fazer novos fãs e influenciar músicos dos trópicos aos mais gélidos lugares do planeta. Além na sonoridade que já sugeria tendências obscuras do Black Metal, o visual da banda pode ser um dos mais copiados do planeta underground. Incrível!

SEXTRASH – SEXUAL CARNAGE

Luxúria, álcool e terror, a cabecinha destes meninos não eram das mais puras! Novamente com o ataque fulminante do criador da “metranca”, “D.D. Crazy”, SEXTRASH projeta Belo Horizonte para o mundo, o que será que tinha nesta água de B.H. heim! “Osvaldo Pussy Ripper” inovou a cena com seus vocais ultra guturais e letras lascivas de cunho sexual, uma festividade lírica para aterrorizar os mais tradicionalistas.

HOLOCAUSTO – CAMPO DE EXTERMÍNIO

Mais uma banda mineira na área, não tem jeito, as tendências musicais extremas de B.H. foram predominantes nesta primeira leva de “bandas sanguinárias made in brazil”. O HOLOCAUSTO, criou um som esporrento, caótico... não era propriamente Death Metal, mais era não cortante quanto os amiguinhos conterrâneos... Além de polêmico e brutal o disco também consegue cunhar um novo termo para o metal, o tal de WAR METAL... os gringos vão ter que nos engolir, acho que essa galera saiu na frente!

KRISIUN – BLACK FORCE DOMAIN

Bem mais recente que a galera acima, porém não menos importante, a gauchada do KRISIUN projetou um novo “reboliço” na cena investindo em um som voraz e cru... Na época em que o black metal com elementos sinfônicos era uma tendência, os irmãos botaram pra fritar... Sinônimo de extremismo sonoro o KRISIUN sem dúvidas, goste ou não, é o grande representante do Brasil em termos de metal. BLACK FORCE DOMAIN é um capitulo primordial na história do Death Metal.

COLORADO HEAVY METAL - PEQUENAS AÇÕES QUE FAZEM A DIFERENÇA!

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Editor responsável - Vitor Carnelossi